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MUDANÇAS PREOCUPAM EMPRESÁRIOS DO SETOR

Notícias >> Proposta de redução do coeficiente de aproveitamento dos terrenos em BH pelo plano diretor pode prejudicar negócios.

Carolina Mansur Representantes do setor empresarial e técnico da construção civil, que já se retiraram das discussões da 4ª Conferência Municipal de Política Urbana, que está em andamento e tem previsão de ser encerrada depois da Copa do Mundo, voltaram questionar, em reunião realizada ontem no Estado de Minas, os impactos das mudanças propostas pelo projeto, que tem como objetivo alterar o Plano Diretor e a Lei de Parcelamento, Ocupação e Uso do Solo. As medidas, segundo os empresários, teriam impacto direto nos negócios. Entre as reclamações, está a proposta de redução do coeficiente de aproveitamento dos terrenos, que encareceria os imóveis em, no mínimo, 40%, e "a ausência de estudos econômicos de impacto e simulação das proposições."

Segundo os participantes, que foram recebidos pelo diretor-geral do Estado de Minas, Édison Zenóbio, uma aprovação precipitada do projeto poderia resultar ainda numa paralisação do mercado, com demissões e reações em cadeia. O presidente do Grupo de Empresas Mineiras de Arquitetura e Urbanismo (Gemarq), Júlio Guerra Tôrres, ainda destaca uma corrida para aprovação de projetos "para garantir o coeficiente" atual.

O diretor de projetos da Sinduscon-MG, Renato Michel, explica que uma paralisação do mercado pode ocorrer pelo fato de o potencial do terreno cair, o proprietário continuar buscando o mesmo preço e o construtor perder em aproveitamento e ter de pagar à prefeitura pelo excedente. "Se hoje o coeficiente para determinada área é de 2,7, isso significa que numa área de 1 mil metros poderíamos construir 2.700 metros. Mas a proposta é que o coeficiente seja de 1 na cidade inteira, reduzindo nesse caso para 1 mil metros a área construída. Os outros 1.700 metros seriam transferidos para a prefeitura, que vende de novo para o construtor", explicou Michel.

O vice-presidente da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Lucas Guerra, reforçou, no entanto, que a cidade não está apta de receber todas as mudanças, e que o consumidor não tem condições econômicas para receber as alterações. O presidente da Câmara da Indústria da Construção (CIC) da Fiemg, Teodomiro Diniz, informou que a debandada ocorreu pelo empresariado não acreditar no ambiente da conferência. O presidente da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi), Otimar Bicalho, defende que, independentemente de prazos, as variáveis do processo sejam amplamente discutidas.

DIÁLOGO Depois da saída de empresários do setor imobiliário da conferência, ontem foi a vez de o setor técnico se afastar. Cinquenta e dois delegados da Gemarq tomaram a decisão de se afastar, segundo Júlio Tôrres. O desdobramento esperado com a ação, segundo Diniz, é a sensibilização do poder público e abertura das portas de diálogo, em um ambiente mais adequado.

Procurada, a prefeitura de BH informou que "o planejamento pode e deve estar atento às repercussões das propostas no mercado imobiliário, que tem assento na conferência justamente para debater essas questões com os outros representantes da sociedade civil." Também participaram da reunião o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (AcMinas), Renato Fagundes, e Oscar Ferreira, membro da Gemarq.


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