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INDÚSTRIA E INVESTIMENTOS VOLTAM A CRESCER NO TERCEIRO TRIMESTRE

Notícias >> Construção civil avança 1,3%. Extrativa mineral é destaque

O leve crescimento da economia no terceiro trimestre foi puxado pela alta de um setor que há muito não registrava resultados positivos: a indústria. Após quatro trimestres de perdas, o setor teve avanço de 1,7%, o maior entre os segmentos que compõem o PIB. Apesar deste resultado, o quadro ainda é negativo, pois, no acumulado do ano, há queda de 1,4%.

O desempenho positivo da indústria, frente ao segundo trimestre, foi puxado pela atividade extrativa mineral, que cresceu 2,2%. O segmento já vinha registrando alta neste ano, influenciado pela produção de petróleo e minério. A novidade foi a alta de 0,7% no setor de transformação, que responde por 13% do PIB. A construção civil cresceu 1,3%.

Na esteira da recuperação pontual da indústria, a formação bruta de capital fixo (FBCF), importante indicador de investimentos, também avançou na comparação entre o terceiro e o segundo trimestres. A alta foi de 1,3%, avanço modesto, porém bem superior à queda de 5,2% registrada no segundo trimestre. A taxa de investimento, relação entre os investimentos e o PIB, ficou em 17,4%, a menor para um terceiro trimestre desde 2006.

- Esse avanço não recuperou as perdas. A indústria e os investimentos devem ficar no terreno negativo - prevê a economista Silvia Matos, professora da FGV.

A comparação com o ano 2013 mostra que a atividade da indústria está encolhendo. O setor é composto por quatro segmentos: extrativa mineral, eletricidade, transformação e construção civil. Só os dois primeiros têm resultados positivos em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Respondendo, juntas, por 18% do PIB, transformação e construção civil recuam 3,6% e 5,3%, respectivamente.

- Principalmente a indústria de transformação e a construção civil continuaram registrando queda em relação ao ano passado, mas com taxas menores que no segundo trimestre. Isso gerou esse aumento em relação ao segundo trimestre - explica Rebeca Palis, gerente da coordenação de Contas Nacionais do IBGE.

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), os números mostram uma recuperação do setor, mas ainda "muito limitada" Análise divulgada ontem pelo instituto ressalta que a alta de de 0,1% no PIB do terceiro trimestre se deve muito à recuperação da construção, além da indústria de transformação na comparação o segundo trimestre deste ano.

Já a melhora dos números sobre investimento "pode significar uma inflexão nas expectativas dos empresários com relação aos seus negócios e à economia, ou ainda, pode significar que os empresários começaram a ficar mais confiantes" segundo o Iedi. Segundo a análise, confiança e realização de investimentos são os principais ingredientes para dar força ao crescimento do país.

O Iedi alerta, no entanto, que o sinal positivo da melhora do investimento e da indústria contrasta com o recuo de 0,2% no consumo das famílias. "A piora do consumo das famílias reflete um quadro menos favorável de expectativas dos consumidores com relação ao endividamento e ao mercado de trabalho. Pode-se esperar que esse quadro afete, inicialmente e de modo mais direto, o setor de Serviços" aponta o instituto. O texto ainda o ajuste fiscal do governo como forma de fortalecer as expectativas dos empresários, além de ajudar na continuidade da recuperação dos investimentos. "A boa dosagem entre austeridade fiscal e níveis de taxas de juros será fundamental para não abortar essa recuperação."

Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) diz, por meio de nota, que ainda não é possível afirmar que o resultado positivo no trimestre significa o fim da queda da atividade industrial e a retomada do crescimento, como quer o governo. "O Brasil precisa tomar medidas que tragam competitividade para sua economia para retomarmos uma trajetória de crescimento sustentado. É por isso que vamos lutar contra o aumento de impostos" afirma o texto.

 

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